A R M A D I L H A

A ARMADILHA EM QUE ENTIDADES E POLICIAIS SE ENCONTRAM HÁ ANOS

Como é fácil “domar” os que agem com emoção.

Como é difícil oprimir os que agem com a cabeça.

Há anos e anos Entidades da Polícia Civil são mantidas em uma armadilha montada por brilhantes estrategistas.

Mas, quem realmente tem a chave da porta de saída, são os próprios policiais.

A conta, passo a passo, é simples:

O PROBLEMA

1 – as Entidades apresentam as reivindicações da categoria ao Governo;

2 – o Governo cria um “grupo de estudo” e promete estudar e negociar;

3 – as Entidades informam o andamento aos policiais;

4- o Governo não estuda nada, não apresenta nada, não sugere nada, e repassa a bola para as Entidades, num profundo despeito e desdém às Entidades todas e, em consequência, a todos os policiais;

5 – poucos, mas eloquentes policiais, ao invés de voltar seu descontentamento e ira contra o Governo, se voltam contra as Entidades, acreditando que as críticas e as cobranças desconstrutivas abrirão caminhos; muitas vezes pregando a não filiação;

6 – o Governo percebe que, simplesmente não atendendo as Entidades, consegue colocar os policiais contra essas próprias Entidades. E ai fica tudo fácil; Isso surpreende até  Governo que, não atendendo as Entidades, esperaria que os representados voltassem sua ira contra o Governo. Mas o Governo descobriu que não.

7 – grupos de policiais vão então se desiludindo e criando sindicatos regionais, associações, agremiações, etc. Cada uma ainda dividida por cargos. Outras que aceitam todas as carreiras. Cada qual achando que tem a resposta;

8 – essas Entidades todas têm ideias e objetivos extremamente parecidos e convergentes. Praticamente não há divergência. Os pedidos são os mesmos em todas as reuniões, encontros, negociações;

9 – torna-se um caminho sem volta que cada região queira representatividade para não acontecer, por exemplo, o que aconteceu com o antigo AOL que virou ALE, situação em que policiais do interior recebiam menos da metade dos policiais da capital. Se hoje é inaceitável que um carcereiro receba menos que um PM, a poucos anos se aceitava que um carcereiro da capital recebesse mais que um carcereiro do interior;

ANÁLISE

10 – esse círculo vicioso se repete a pelo menos 10 anos, com um pico de resistência em 2008 e 2012, por isso, não se pode cobrar outra conduta do policial civil. Qualquer um fica indignado com tamanho travamento nas negociações. A PM se adiantando e a PC estagnando (no aspecto reivindicatório);

11 – a situação dos delegados é um pouco mais fácil diante da excelente postura da ADPESP. Pois trabalha com apenas uma carreira, a nível Estadual, ainda que tendo em cada DEINTER uma sede social e um representante; há uma dirigente ativa, que comparece à Assembleia semanalmente, visita as lideranças políticas e institucionais, mantendo um elo de contato de extrema importância, que abre portas. Talvez não todas. Mas se faz presente no cenário mais importante da luta classista: a mesa de negociação;

12 – durante a greve e manifestações de 2008 foi criada uma REPRESENTAÇÃO COLETIVA das Entidades de Classe da Polícia Civil, formada por seus Presidentes. E a mobilização que se viu foi ímpar. Não havia um presidente. Todos falavam e decidia-se pela maioria;

13 – essa REPRESENTAÇÃO COLETIVA não durou. Acabou com a greve de 2008;

14 – FEIPOL – é uma FEDERAÇÃO. A FEIPOL-SE é a Federação Interestadual dos Trabalhadores Policiais Civis da Região Sudeste. Atualmente é presidida pelo Senhor Aparecido (O Kiko), que é também o Presidente do SINPOL CAMPINAS; Entidade legalmente constituída, com Registro no Ministério do Trabalho, TOTALMENTE COMPETENTE para representar as Entidades da Polícia Civil do Estado de São Paulo;

15 – após as conquistas de 2013 (Carreira Jurídica, o Nível Universitário pífio e 2º grau para demais carreiras sem o correspondente salarial) ocorreu uma clara DIVISÃO agora interna, entre as carreiras operacionais;

16 – dividir para conquistar. Está em alta o plano do algoz;

17 – não raramente as páginas sociais e sítios virtuais vêm trazendo calorosas discussões (de forma totalmente aberta e irresponsável) de assuntos que só interessam a classe policial civil, e a mais ninguém. Outros servidores, de outros órgãos, facilmente se infiltram com apelidos fakes e discutem como se policiais civis fossem. Causando maior cisão e discórdia. Procurem algo análogo em outras instituições. Não vão encontrar. E se encontrar verão que estão no mesmo barco… e afundando;

PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO

18 – criação de uma Comissão Geral de Policiais Civis (CGPC) SEM PRESIDENTE. Ou com Presidente Eleito pela maioria dos dirigentes das  Entidades, pelo mandato de 2 anos;

19 – apresentação, análise e discussão da criação dessa CGPC, até mesmo com site oficial, sem fins lucrativos, onde todos os Policiais Civis do Estado podem se filiar virtualmente, SEM TAXA DE MENSALIDADE (sem convênios, sem ações judiciais, etc), mas exclusivamente para dar representatividade e força à Comissão. Criação de senha de acesso livre para os que se filiarem poderem acessar área restrita com informações de interesse interno;

20 – contratação de profissionais da área administrativa e de publicidade para dar norte e conduzir o processo reivindicatório, custeados proporcionalmente pelas Entidades;

21 – não a qualquer tentativa de controle, e perpetuação no cargo de Presidente da Representação de uma única Entidade sobre as demais, seja por qual argumento for, bem como reeleição. Com possibilidade de nova candidatura apelas após dois outros mandatários.

Não se trata de utopia. Se trata de caminho de mão única.

Opiniões e sugestões construtivas pelo e-mail   secretaria@sipol.com.br