Gestão Alckmin foi ‘maliciosa’ ao revogar norma sobre efetivo, diz juiz

Durante a inauguração de obras da linha 4-laranja, em abril, o governador Geraldo Alckmin foi recebido por uma manifestação de professores na porta do evento

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/08/1806120-gestao-alckmin-foi-maliciosa-ao-revogar-norma-sobre-efetivo-diz-juiz.shtml

ROGÉRIO PAGNAN SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “O governo de São Paulo agiu “maliciosamente” ao revogar, em abril deste ano, uma resolução publicada por ele mesmo que determinava o número ideal de policiais em cada uma das unidades do Estado, segundo o juiz Márcio Mendes Picolo. “Revoga esta mesma norma justamente para que não possa continuar a ser cobrado pela indevida omissão e desídia no trato da Segurança Pública”, diz trecho da sentença do magistrado da 3ª Vara Cível de Leme. Nesta decisão, Picolo determina que a Secretaria da Segurança Pública coloque na cidade 49 policiais civis, como previa a norma, ou 18 pessoas a mais do que o efetivo existente atualmente. Ele impõe um prazo de 30 dias para o cumprimento da ordem, sob pena de multa diária de R$ 10 mil -limitada a R$ 1 milhão. A tal resolução sobre o efetivo policial foi publicada em 2013, mas revogada pelo governo Alckmin (PSDB) quando ele passou a ser alvo de ações judiciais pelo interior que cobravam o cumprimento da própria normal. Leme era uma das cidades em que a Justiça havia concedido liminar para cumprimento imediato da norma. Após reportagem da Folha de S.Paulo, a normal foi revogada e, segundo o juiz, o governo “não trouxe qualquer outro motivo fático ou jurídico que pudesse justificar a revogação”. “Na verdade, após existir grande repercussão na mídia a situação caótica e a omissão do requerido, tal conduta evidencia seu intuito em se furtar ao cumprimento de seu dever constitucional”, continua o magistrado no mesmo documento do início do mês. O governo argumentou na ação que considerava a ação uma “ingerência no poder discricionário do executivo”, por considerar o remanejamento de efetivo uma “decisão discricionária da Administração” da qual o Judiciário não “poderia se imiscuir”. Na sentença, o juiz utilizou depoimento da delegada Adriana Cardamone Galloni de Leme que, ao Ministério Público, classificou a situação como “caótica” -dada a insuficiência de profissionais para atender aos municípios. Procurado, o governo paulista informou “aguarda tramitação judicial, para a qual foi acionada a Procuradoria Geral do Estado, que irá interpor recurso no prazo legal”. Diz, ainda, que a Delegacia Seccional de Limeira transferiu para Leme um investigador e um escrivão de polícia, neste mês. A gestão Alckmin não comentou sobre os termos usados pelo magistrado, entre eles o “maliciosamente””.